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Sardinha Pequenina

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26
Fev24

Medicina Narrativa: a importância das histórias

As histórias fazem parte da vida. E, também na Medicina, as histórias têm um papel importante. Nos anos 90, Rita Charon, uma médica americana internista e especialista em literatura, lançou a Medicina (baseada na) Narrativa, que reconhece a importância das narrativas e das histórias na prática clínica e nos cuidados de saúde. Na verdade, a Medicina Narrativa assume que os profissionais de saúde são capazes de combinar a objetividade e o rigor científico, que caracterizam a Medicina, com o reconhecimento da importância das palavras, dos relatos pessoais e das histórias. O seu objetivo é promover a compreensão das experiências e fortalecer a relação entre os profissionais de saúde e os doentes. Porque, na verdade, as histórias são ferramentas que promovem o conhecimento, a empatia e a reflexão.

 

Mas porque é que é essencial que os profissionais de saúde pratiquem a Medicina Narrativa, valorizando o papel das histórias?

 

1) O doente é um contador de histórias. Os doentes enfrentam a difícil tarefa de contar as suas histórias aos profissionais de saúde, pessoas desconhecidas e com quem não possuem qualquer vínculo. Através do relato pessoal, os doentes descrevem as suas experiências, sentimentos, preocupações e perceções em relação à doença, tratamento e cuidados médicos. Frequentemente agravados por problemas sociais, financeiros e psicológicos, estes relatos tornam-se complexos, difíceis de explicar e de entender. Por isso, os profissionais de saúde devem ser capazes de ajudar os doentes a contar a sua história, editando-a e selecionando a informação relevante. Por outro lado, quando os doentes revelam dificuldade em transmitir as suas histórias pessoais, os profissionais de saúde devem ser capazes de os ajudar, procurando descobrir detalhes reveladores. Ouvir e compreender o testemunho dos doentes permite, aos profissionais de saúde, experienciar as histórias, tornando-os mais empáticos. Por outro lado, a análise de narrativas médicas permite aos profissionais identificar padrões e tendências em determinadas doenças, tratamentos e resultados, contribuindo assim para o avanço da Medicina.

 

2) O profissional de saúde é um contador de histórias. Através de técnicas como o storytelling, os profissionais de saúde podem contar histórias aos doentes com o objetivo de mudar hábitos ou de promover a adesão a determinados tratamentos médicos. Para tal, deve ser utilizada linguagem acessível e informação simplificada, facilitando a comunicação com os doentes, inspirando-os e motivando-os. Através da partilha de histórias pessoais com outros doentes, os profissionais de saúde podem tornar a informação mais acessível, ajudando os doentes a sentirem-se escutados, compreendidos e apoiados.

 

3) A escrita de histórias tem inúmeros benefícios para quem a pratica. Para profissionais que têm contacto com determinadas experiências, a escrita pode ser libertadora, uma vez que promove a reflexão e a análise. Os profissionais de saúde vivem histórias que envolvem eventos difíceis, como a doença ou a morte, e são frequentemente confrontados com enredos complexos, que podem encerrar dificuldades familiares, dependências ou outros problemas. Por outro lado, também vivem histórias que implicam o nascimento de uma criança ou a cura de determinada doença. Assim, através da escrita, é possível organizar ideias, aumentar o vocabulário, combater o stresse e promover a empatia e a reflexão. Adicionalmente, as histórias são poderosas ferramentas educativas que permitem aos estudantes e profissionais de saúde aprender com as experiências reais dos doentes enquanto desenvolvem competências de comunicação.

 
 

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