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Sardinha Pequenina

A Sardinha Pequenina tem como propósito contar histórias de gente real, aliando o poder da palavra escrita à qualidade e originalidade dos produtos. As pessoas reais inspiram-nos!

Os olhos da minha Mãe

05.04.23

Nos olhos da minha Mãe encontro tudo.

Colo. Beijos.

Histórias. E cantigas de embalar.

Nos seus olhos encontro paz.

Aconchego. Guarida.

Amor. E perdão.

Os olhos da minha Mãe são imensos.

Neles, a coragem.

A sabedoria. E a sensatez.

São capazes de falar. E de sorrir também.

São infinitos. E neles cabem todas as estrelas do céu.

A Mãe, segundo Deus

31.03.23

Na língua de Deus,

Mãe escreve-se com o brilho das estrelas,

amor infinito

e um punhado de carinho.

Deus deu à palavra Mãe

o aroma das flores

e a doçura do mel.

Quis Ele que Mãe fosse especial

e por isso ordenou aos anjos que distribuíssem

afeto e valentia a quem usasse a palavra

para que, na terra, se saiba que os braços de uma Mãe

são os braços de Deus.

Menina Mãe

03.10.22

Precisas de colo?

Onde deitar as lágrimas.

Onde deixar a menina que deixaste de ser.

Onde encontrar a mulher que agora nasce.

Onde largar o corpo que antes era só teu.

 

Precisas da minha voz?

Para te garantir que não há caminhos certos e errados.

Para te segredar que também tu brotaste agora.

Para te dizer que, pouco a pouco, vais descobrir ser o mundo.

 

Precisas da minha mão?

Quando o cansaço se apoderar de ti.

Quando a solidão te assombrar. E o medo de falhar.

Para garantir que não te perdes nesse estreito caminho.

Onde segues descalça e frágil. A aprender a ser.

 

Precisas do meu silêncio?

Capaz de te abraçar quando sentires as dores do teu filho.

E sentires que são tuas, afinal.

Quando nos teus ombros sentires o peso de seres mais.

E quando descobrires que afinal, só tu bastas.

 

Ao teu filho. E a ti.

Embalo

01.04.22

Enquanto a embalo, ela olha fixamente para mim.

O que procura ela?

Lê nas marcas do meu rosto o que sinto por ela.

Vê nos meus olhos o meu coração.

Repara no sorriso que não consigo esconder.

E ouve a ligeira canção que eu vou trauteando.

É um olhar sem critica. É um olhar que não dói. É um olhar que não me quebra.

Enquanto a embalo, até que os olhos dela cedam finalmente, a minha filha fita-me.

E naquele olhar, entre nós, quero partilhar o mundo com ela.

E naquele aconchego só nosso, quero dizer-lhe que a embalarei sempre.

Com carinho.

E cantarei. Cantarei sempre.

Para a embalar. Para a confortar. Para lhe dizer que a amo.

Porque és Mãe

30.03.22

No meio do meu próprio caminho, eu finalmente percebi.

Descobri o motivo para seres dona dos dias.

De dias que se prolongam para lá das horas.

Entendi porque é que és capaz de tudo. Por todos.

Mesmo sabendo que as dúvidas te assolam. Te atormentam.

Entendi porque é que és perfeita em tudo. E igualmente imperfeita.

Capaz de desempenhar tantos e diferentes papéis.

Capaz de ires das lágimas às gargalhadas. Do grito ao colo.

Nunca tinha percebido como era possível amares tanto.

Como se o teu coração fosse um fundo poço. Túnel sem fim.

Apesar dos teus dilemas. Das tuas vontades. Dos teus desejos.

Que sempre conciliaste com os de tantos.

Por vezes em segundo plano. Mas sempre atriz principal.

 

És assim. Porque és Mãe.  

E só agora o sei porque também eu o sou.

Mãe flor

09.05.21

As mães são como flores.

São cheirosas e belas.

Bebem da chuva a experiência.

Aprendem que o sol é a sua alma.

Transformam as suas raízes em fortalezas.

Sob as suas folhas há sempre um lugar seguro.

Aparentemente frágeis, resistem a ventos e vendavais.

Podem ser de mil cores e formas.

Mas belas, sempre belas!

Pode um beijo sarar um ferida?

03.05.21

As mãos pintadas. Espantada, e até preocupada, disse-me:

- "Mamã, olha! As mãos!"

Sorri e disse-lhe que não se preocupasse.

Durante o banho, como por magia, a tinta desapareceria.

Assim aconteceu.

 

Ontem, com um sorriso rasgado, disse-me:

- "Mamã, olha! O dedo! Podes tirar?"

Dei uma gargalhada. Tinha no dedo uma pequena ferida.

Ela pensou que eu seria capaz de fazer desaparecer a lesão.

Tal como aconteceu com a tinta.

Beijei o seu dedo e sorri.

 

De facto, aos olhos dos filhos, as mamãs são super-heroínas!

Capazes de resolver qualquer problema. De tratar qualquer ferida.

 

O ferimento permaneceu no frágil dedo.

Mas o meu beijo confortou, certamente, o seu coração de menina.

E a sua fé em mim aqueceu o meu coração de mãe e mulher.