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Sardinha Pequenina

A Sardinha Pequenina tem como propósito contar histórias de gente real, aliando o poder da palavra escrita à qualidade e originalidade dos produtos. As pessoas reais inspiram-nos!

Pescador de sonhos

05.04.22

Preparo a cana e lanço-a.

Puxo com força enquanto cerro os olhos.

Pesco um foguetão. Vejo um planeta também.

Atiro novamente. E pesco um palácio.

O meu avô sorri e diz-me para lançar novamente.

Durante a pescaria, ou enquanto o pião roda no chão, encontro sonhos.

Pesco-os. Desenrolo-os.

E o avô vai colorindo o meu mundo.

Grita e sorri. Bate palmas.

Inventa e constrói. Arranja e desmancha. Faz de conta.

Este avô que é também criança quando ao meu lado se senta.

E que cerra os olhos para guardar no coração os momentos que vive comigo.

 

 

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Avô Tó

05.05.21

Avô Tó usa boina e camisa aos quadrados.

Põe as mãos nos bolsos e, a assobiar, desce a rua.

Lá vai ele: pequeno e ligeiro.

Deixa em casa a esposa: fica a arrumar a cozinha e a tratar da roupa.

Ele dá-lhe um beijo, bate a porta e começa a caminhar.

Aguardam-no na rua. Sempre à mesma hora. Faça sol ou chuva.

Todos os dias discute a meteorologia, critica o Ministro das Finanças e debate as últimas notícias.

É presença assídua no café do bairro. No banco vermelho da rua. Na mercearia do canto.

Está sempre atualizado. Sabe sempre tudo. Tem sempre razão.

Avô Tó é teimoso. Chateia-se com o vizinho. Arrelia-se com o compadre.

Resmunga, amua e volta, de mãos nos bolsos, para casa.

Mas, no outro dia, lá vai ele novamente.

Avô Tó gosta de contar histórias. Sabe muitas!

Coloca o neto nos joelhos e conta-lhe, durante horas a fio, histórias de antigamente.

Fala-lhe sobre tudo. Descreve pessoas e lugares. Refere pormenores.

Todos os dias, uma nova história.

Avô Tó é mistura de resmunguice e doçura. Teimosia e imaginação.

Avô Tó é velho quando sai à rua.

Mas é novo quando se perde nas suas histórias e se imagina novamente no mar.

Quando se imagina novamente a descer a rua a correr.

Quando se imagina menino nos joelhos do seu pai, a ouvir histórias de antigamente.

 

 

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