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Sardinha Pequenina

A Sardinha Pequenina tem como propósito contar histórias de gente real, aliando o poder da palavra escrita à qualidade e originalidade dos produtos. As pessoas reais inspiram-nos!

Alexandra

25.01.23

Há gente que não sabe. Nem sonha.

Que tem o sol dentro do peito.

Que os seus olhos são casa.

E o seu sorriso aconchego.

Há gente que não imagina a leveza que tem.

Ou poder dos seus gestos.

Há gente que caminha por aí.

Despretensiosamente

Olhando os outros nos olhos.

Fazendo-se presente.

E tornando o outro presente. Só porque o viu.

E sorriu. Cumprimentou. Agradeceu.

 

Adeus 2022! Olá 2023!

27.12.22

É hora de olhar para trás e pensar sobre o que lá vai.

Identificar falhas. Refletir sobre imperfeições.

Agradecer as conquistas. Guardar os ensinamentos.

Apreciar os bons momentos. E valorizar os que estiveram presentes. 

 

É hora de olhar para a frente e desenhar o futuro.

Cheio de projetos. Cheio de cor. Cheio de inspiração.

Cumprir velhos sonhos. Aprender mais. Partilhar mais.

Recomeçar. Recarregar o coração com vontade e coragem.

 

E seguir viagem. 

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Foto: Danil Aksenov - Unsplash

 

Lembrete #30

01.12.22

"31 dias para refletir e anotar.

Mas, principalmente, para desenhar 2023."

 

Dezembro chegou rápido.

Trouxe o frio. E as longas noites.

Trouxe as cores do Natal. O aroma das filhoses. O sabor da canela e do açúcar.

As músicas nas ruas. E na rádio.

Dezembro trouxe a certeza de um ano quase a terminar.

E a oportunidade de refletir sobre os dias que já passaram.

Para gravar - permanentemente no peito - tudo o que de bom aconteceu.

Para anotar falhas e para escrever sobre os momentos duros.

Mas, principalmente, para desenhar um novo amanhã: que chegará em 2023.

O menino

09.11.22

Ouvi dizer que nasceu.

Menino cheio de luz.

Menino feito de esperança.

Veio trazer bondade.

E lembrar-nos do que somos feitos.

 

Na noite mais fria, pedi-lhe que te levasse fé.

Para que nunca te falte quando a estrada for sinuosa. 

Sussurrei, perante todas as estrelas do céu, que te levasse o meu abraço.

Para que o possas receber quando te lembrares dos dias velhos. 

E confessei-lhe a minha vontade de embrulhar o teu amanhã em felicidade.

Em desejos concretizados. Em momentos inesquecíveis.

Mamã: qual é o teu sonho?

17.10.22

Ela perguntou: "Mamã, qual é o teu sonho?"

Olhei para o seu rosto risonho e para os seus olhos curiosos.

O que deveria eu responder? Que exemplo poderia eu dar?

Já tive vários sonhos. Foram moldados ao longo do tempo.

Fiz e refiz vários objetivos. Rasurei projetos. Construí novos planos.

Mas, quando ela me inquiriu, soube que eu devia - e queria - ser exemplo.

Por mim. Por ela.

Para que ela saiba que dentro de um coração de mãe, cabem todos os sonhos do mundo.

Para que ela saiba que um coração que deseja muito pode tudo. 

Respirei fundo e contei-lhe um segredo.

Sorriu. E prometeu discrição.

Não sabe que lhe dei um pedaço da minha alma para guardar junto do seu coração pequenino.

Para fazer dos meus sonhos, combustível para os seus.

Dia Mundial da Saúde Mental

10.10.22

Os tijolos de que somos feitos podem ruir. Todas as casas, mesmo as mais sólidas, podem desabar.

Outubro de 2019 trouxe-me o diagnóstico de melanoma da minha mãe. Quando soube, tremi. Sabia que tínhamos poucas armas para usar contra este inimigo. E que, provavelmente, a fé inabalável da minha mãe não iria salvá-la.

Acompanhei a minha mãe - dia após dia. Vi o seu corpo transformar-se. Nunca cedi à frente da minha mãe. Mas chorei muitas vezes. E percebi que eu precisava de ajuda para poder ajudar a minha mãe. Para ajudar a minha família. Mas, principalmente, para me poder ajudar a mim própria.

Foi dentro de um gabinete que me (re)encontrei. Graças à ajuda de um psicólogo, adquiri ferramentas que me permitiram lidar com a doença e o luto. Falei-lhe de mim. Da minha mãe. Da minha família. E de muito mais.

Percebi também que, pelo caminho, tinha perdido a Ana. Por aí. Não sabia bem onde a tinha deixado. Talvez a tenha abandonado quando trabalhava horas a fio. Ou nas férias que não tive. Talvez a tenha deixado no meio dos livros, que tinha deixado de ler.

Respondi a questões e aprendi a fazer perguntas. Aprendi a gerir a ausência súbita da avó na vida da minha filha. Aprendi como reagir a uma família que procurava as respostas que eu não podia dar. Aprendi como lidar com as perguntas discretas e indiscretas de quem queria saber da minha mãe.

Entre o diagnóstico e a morte da minha mãe, passaram cerca de seis meses. Fui atropelada por um camião durante esse período e durante os meses que se seguiram. Morri e nasci de novo. Depois da morte da minha mãe, demorei a encontrar-me. Valeu-me o companheiro de todas as horas. O sorriso da minha filha. Os telefonemas daqueles que, mesmo longe, nunca me largaram. A certeza da cumplicidade da minha irmã. E o papel – onde voltei a encontrar a Ana.

A Ana que re(encontrei) não é a mesma que perdi. Aprendeu mais. Sobre ela. Sobre os outros. Gosta mais de gente que chora. De gente que cai e se reconstrói.

Hoje, a Ana sabe que todas as casas podem ruir. Desengane-se quem pensa o contrário.

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P.S. – Assinala-se hoje o Dia Mundial da Saúde Mental. Faça da sua saúde, prioridade!

 

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