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Sardinha Pequenina

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19
Abr23

Escrita sensorial: narrativas com cinco sentidos

As narrativas podem ser escritas recorrendo a diferentes técnicas. Uma das mais utilizadas é a técnica da escrita sensorial. Na escrita sensorial, o autor utiliza linguagem descritiva, recorrendo para tal aos cinco sentidos - visão, audição, paladar, olfato e tato – para oferecer ao leitor uma perceção física, estimulando a sua imaginação. Ao ler uma descrição sensorial, a memória é também estimulada pois o leitor fará uso das lembranças que tem para percecionar todos os detalhes oferecidos no texto. A criação de empatia entre o leitor e as personagens é igualmente potenciada pela escrita sensorial, uma vez que esta técnica é capaz de despertar diferentes sentimentos, oferecendo uma experiência mais imersiva e realista ao leitor.

 

Aprender com um exemplo

Frase A: “A Dulce abriu a porta de casa e verificou que estava muito calor na rua.”

Frase B: “A Dulce abriu serenamente a porta de casa, olhou para o céu azul, sentiu o doce aroma das flores e o sol imediatamente aqueceu o seu corpo.”

 

Na primeira fase, o leitor fica a saber que a Dulce abriu a porta de casa e que verificou que estava muito calor na rua. O autor do texto não oferece detalhes adicionais que permitam ao leitor vivenciar de forma mais intensa o que lê.

Na segunda frase, o escritor entrega ao leitor a possibilidade de imaginar o céu azul, o aroma floral e o calor que Dulce sentiu ao abrir a porta de casa. O leitor tem na sua posse vários detalhes que lhe permitem facilmente imaginar uma mulher serena que, ao abrir a porta de casa, se delicia com o que descobre.  

 

Vale a pena referir que a técnica dos cinco sentidos é muito aplicada na escrita criativa. No entanto, também é possível encontrar esta técnica em outro tipo de conteúdos escritos como, por exemplo, textos com fins publicitários.

Sabemos que as narrativas que não recorrem à escrita sensorial tendem a ser demasiado simples. No entanto, o excesso de descrições sensoriais pode também tornar a narrativa monótona e extremamente cansativa, fazendo com que o leitor se distraia facilmente. Por isso, adjetivos e detalhes desnecessários devem ser evitados, bem como os clichês.  O autor deve utilizar a escrita sensorial de forma moderada, adaptando-a sempre ao tipo de conteúdo produzido. Um escritor de uma história de amor poderá basear-se no tato para descrever vários episódios. Por outro lado, se o conteúdo escrito é uma história de terror, a audição poderá ser o sentido mais explorado.  

 

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