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Sardinha Pequenina

A Sardinha Pequenina tem como propósito contar histórias de gente real, aliando o poder da palavra escrita à qualidade e originalidade dos produtos. As pessoas reais inspiram-nos!

Natal

28.11.21

Há estrelas na rua. Por todo o lado.

Cintilantes. Mágicas. Belas.

São luzes que brilham.

São amigos. 

De antes. De agora.

São luzeiros. Faróis. Bússolas.

 

Cheiros e sabores.

Açúcar e canela misturam-se no paladar.

São recordações.

Pintadas a branco, verde e vermelho.

De gente. De locais.

Que não voltam. Que vivem guardados na memória e no coração.

 

As músicas ecoam por todo o lado.

Velhas melodias. Novos ritmos. 

Serão anjos a cantar?

Certamente apregoam a noite mais esperada.

A família: velhos e novos. Muitos ou poucos.

Anunciam as conversas. As gargalhadas. A barafunda das crianças.

O rebuliço da noite. A alegria do dia. 

 

O brilho, os aromas e os sons.

O passado e o presente.

Misturados. Enlaçados.

Num Natal feliz.

 

 

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Lembrete #8

17.11.21

 

Às vezes é preciso recuar um, dois ou três passos.

Voltar a analisar o caminho.

Assinalar todas os cruzamentos e encruzilhadas.

E só depois, com o peito cheio de vontade, ganhar balanço e avançar.

 

 

Andorinha

13.11.21

Com os braços abertos, ela rodopia.

Feita pássaro desamarrado. Feita andorinha.

Livre e feliz. Capaz de voar. 

Que doce é ver uma criança tornar-se andorinha.

"Mamã, mamã! Vou voar!"

Sorrio. Que doce cenário este.

Voa sempre. Nunca te esqueças que os teus braços são asas.

E que os teus sonhos conduzir-te-ão se seguirem presos a um coração valente.

 

 

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Saudade

12.11.21

No silêncio, quando fecho os olhos.

Quando o teu cheiro me invade como se ainda aqui estivesses.

Quando sinto o calor da tua mão. Ele teima em fazer-se extinguir.

Quando o paladar grita por todos os sabores que emprestavas à comida.

Quando as flores desabrocham e as hortênsias ganham cor.

Quando cuido de um quintal que em tempos já foi por ti - e por outra geração - velado. Foi nele que me encontrei.

Há nele borboletas. E são brancas. 

Quando te imagino a rir descontroladamente. A tua gargalhada ecoa.

Quando me questiono sobre o teu conselho. A tua opinião. Sinto falta do teu carinho.

Quando me dou conta da ausência do teu amor. E que falta me faz!

Eras a única pessoa que vivia por mim. Ninguém, jamais, conseguirá amar-me assim.

Quando os outros chamam o teu nome quando me fitam.

Quando te vejo nos seus olhos, que me emprestam o meu reflexo.

Quando repito, impensadamente, as mesmas palavas e expressões que ouvi desde sempre.

Quando, sempre e mais uma vez, confirmo que sou o resultado de tantas mulheres que habitam em mim.

O sangue, a mente e o coração são mistura de tanto! Será magia? 

Quando eu te vejo no meu fruto. Tem tanto de mim, de ti, de nós. 

Mas, principalmente, quando os meus silêncios gritam por ti.

Tu és saudade. Em todos os momentos.

 

 

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Código

11.11.21

Diz-me: podemos usar um código?

Para eu descobrir o teu humor. 

Dar-te espaço ou abraçar-te.

A cada amanhecer. A cada hora que passa. A cada anoitecer.

Pode ser simples ou complexo.

Um código só nosso.

Dissimulado entre gestos ou olhares

Clandestinamente partilhado entre nós.

Para que eu saiba sempre para que lado pende o teu coração.

Para que eu saiba sempre como cuidar de ti.

 

 

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Dia de todos os Santos

02.11.21

Há um local onde posso estar contigo.

Onde só tu, no silêncio, me escutas.

Onde, sabendo que não estás, te julgo encontrar sempre.

A tua casa deixou de ser nossa.

E por isso tive de te procurar em outro local.

Percorri um longo caminho até finalmente te encontrar.

Revi a minha perspetiva sobre o chão que encerra histórias.

E, pouco a pouco, comecei a encontrar algum significado para a terra.

Para as pedras. Para as flores.

 

Quatro muros encerram o teu fim.

Guardam a tua história e a história de tanta gente.

São antepassados. Partes de nós.

Pergunto-me se cada lágrima lá deixada, entre quatro muros, chegará até eles.

Até ao céu. Onde, certamente, ouvem os murmúrios e as preces.

 

Olho para os rostos que se cruzam comigo.

Que, num ritual mágico, transformam saudade em flores.

Que tombam sobre lápides.

Que choram por quem já se foi.

Naquele terreno árido, onde poucas flores ousam brotar, descobri que há muito de nós.

De todos nós.

E que as perspetivas sobre locais e tradições podem mudar.

Assim o obriga a vida.

 

É bom saber-te em algum local.